terça-feira, 25 de maio de 2010

Para tentar entender um pouco do problema da quimioterapia, na UNIMED Campinas

Junho de 2007 – anúncio da UNIMED Brasil

Sem aviso ou consulta prévia a qualquer cooperado, em junho de 2007 fomos surpreendidos por uma nota da UNIMED Brasil a seus associados:

“UNIMED CAMPINAS CRIA SERVIÇO PRÓPRIO DE QUIMIOTERAPIA AMBULATORIAL

As reformas do espaço de 800 m² em Campinas têm previsão de término no final do segundo semestre e terão um investimento de R$ 500 mil.

Música ao vivo e ambiente acolhedor são as promessas para o novo empreendimento. Emílio de Oliveira Issa, presidente da Unimed Campinas, diz que oferecer um atendimento humanizado é uma das prioridades do novo serviço próprio. “A comunidade perceberá que ofereceremos um local com um ambiente humanizado e tecnicamente correto”.

Fevereiro de 2009 – inaugurado o CQA

Ao contrário da previsão inicial, foram divulgados custos de aproximadamente R$ 1,8 milhões. Os custos reais foram solicitados pelos cooperados oncologistas. A diretoria da UNIMED Campinas negou a informação, com a alegação de serem dados “estratégicos”.

Foram contratados dois médicos oncologistas, não cooperados, assalariados (com salário equivalente a de diretores, segundo informação obtida verbalmente de um dos contratados) para conduzirem o serviço.

Dezembro de 2009 – anunciado o descredenciamento das clínicas de oncologia de Campinas

Nota de esclarecimento da UNIMED Campinas:

“O pedido de descredenciamento partiu das clínicas de Oncologia. A solicitação foi apresentada à Unimed Campinas no dia 01.12.2009 e, conforme previam os contratos, os atendimentos estenderam-se por mais 30 dias, sendo encerrados em 31.12.2009, sem qualquer prejuízo aos usuários da Cooperativa médica.

…

Para os pacientes em tratamento, o descredenciamento em nada alterará o atendimento, que prosseguirá até o seu término junto às clínicas que se descredenciaram, pois foram mantidas as cláusulas contratuais anteriores a 01.12.2009.

Já os novos casos, diagnosticados a partir de janeiro de 2010, estão sendo atendidos pelo Centro de Oncologia Ambulatorial da Unimed (CQA – serviço próprio da Unimed Campinas) e pelo Centro de Oncologia de Campinas (COC) e Centro Infantil Boldrini, que continuam como serviços credenciados da Unimed Campinas para os tratamentos quimioterápicos, mantendo-se, assim, o direito da livre escolha pelos pacientes.”

Maio de 2010 – anunciado novo “método” para avaliar se um paciente é “caso novo” e inviabilizar o tratamento nas clínicas:

1. Beneficiários que nunca tenham recebido terapia oncológica através do Sistema Unimed;

2. Beneficiários que não tenham recebido terapia oncológica parenteral, tratamento cirúrgico ou radioterapia por um período superior a um ano;

3. Beneficiários que apresentam mudança de diagnóstico, independentemente do tempo transcorrido entre o último tratamento e o novo diagnóstico.

A Unimed Campinas se propõe a realizar o pagamento dos medicamentos deste tipo de paciente através de crédito na produção médica dos cooperados – como se fosse honorário médico – do valor proposto por ela em tabela própria - equivalente a 5% menos do que o custo real. Contando com pelo menos 27,5% de prejuízo decorrente do imposto de renda retido na fonte, as clínicas teriam pelo menos 32% de prejuízo por cada tratamento efetuado.

Maio de 2010 – Instituto do Radium de Campinas é descredenciado completamente – inclusive para os casos antigos

Clínicas de Oncologia contra a UNIMED Campinas

Exigência da Unimed Campinas criou uma mudança radical na forma de remuneração de medicamentos que as clínicas oferecem aos pacientes

A criação de um serviço próprio de quimioterapia da Unimed Campinas criou transtorno nas clínicas de oncologia da cidade. Inaugurada no início de 2009, a unidade de tratamento de câncer da cooperativa fez com que o contrato com as clínicas Oncocamp, Oncomédica, OCC, IOC, Oncologia e Hematologia e Instituto do Radium sofresse uma exigência por parte da Unimed: a criação de uma tabela própria.
”Esses contratos estavam em andamento há nove anos. Antes essas clínicas tinham como base uma tabela da ABCfarma, onde os preços eram de fábrica - uma referência que as clínicas tinham para aplicar nos pacientes e os valores seriam restituídos com base na própria tabela. Agora, a Unimed simplesmente abandonou essa tabela e criou uma própria. As clínicas viram que essa lista não tinha vinculação com nenhuma outra, sendo os valores estipiuados arbitrariamente”, explica o advogado das clínicas, Paulo Fantoni ao ressaltar que a exigência da cooperativa criou uma mudança radical na forma de remuneração de medicamentos que as clínicas oferecem aos pacientes.
Em setembro de 2009 começou a negociação das clínicas com a Unimed Campinas para que esta exigência fosse revista. Sem obter sucesso, foram tentadas algumas alternativas que permitiam uma continuidade desses atendimentos nas unidades de oncologia. Porém, o novo contrato deveria ser assinado até dezembro de 2009 pelas seis clínicas de Campinas, que se viram sem alternativa e optaram por entrar na Justiça.
”Vínhamos negociando com a Unimed, mas ela se pôs muito intransigente nessa exigência. Agora as clínicas se viram numa situação sem poder continuar com o atendimento”, conta Fantoni. “Esse novo contrato não tem condição financeira de ser aceito.”
Até o momento, as clínicas entraram com duas ações na Justiça: uma que investiga o custo do Centro de Quimioterapia da Unimed; e uma proposta para tentar a manutenção do contrato anterior para os contratos novos.
De acordo com o advogado, a cooperativa de Campinas alega que o seu serviço próprio tem um custo operacional inferior aos das clínicas. “Queremos a apresentação desses custos. Eles precisam mostrar.”
Fantoni está confiante que a ação de manutenção do contrato será analisada pelo juiz, que vai notar o risco de descontinuidade do atendimento que o usuário pode ter com a suspensão do contrato.
O serviço de oncologia de Campinas e região era atendido quase que na sua totalidade por essas clínicas, segundo o advogado. Hoje, apenas os pacientes que já estavam em atendimento continuam com o serviço. “Sem atender novos casos, as clínicas estão tendo um custo muito alto e por isso há uma avaliação de que no curto prazo não seja mais possível continuar nem mesmo com os pacientes antigos. A receita das clinicas não vai ser suficiente para esses atendimentos”, ressalta. A situação pode deixar cerca de 700 pacientes em tratamento de câncer sem atendimento nos próximos três meses.
”Os médicos oncologistas cooperados, que trabalham nas clínicas, tentaram manter a realização dos procedimentos de quimioterapia, porém também foram proibidos de exercerem integralmente sua especialidade pela Unimed Campinas, ficando restritos ao atendimento de consultas”, conclui Fantoni.
Procurada, a Unimed Campinas informou por meio de sua assessoria de imprensa que não vai se pronunciar sobre o assunto.

 

Fonte: http://www.advsaude.com.br/noticias.php?local=1&nid=4201

terça-feira, 20 de abril de 2010

Lembrete de vacinação H1N1

Só para lembrar que pacientes com câncer, estejam ou não em tratamento, devem ser vacinados contra a vacina H1N1.

Entram na categoria de pacientes crônicos. A quimioterapia ou radioterapia não são contraindicações à vacina. Pelo contrário. Pacientes em quimioterapia, por exemplo, apresentam mais risco de quedqa da imunidade, e estão mais susceptíveis a complicações se foram infectados com o vírus da gripe.

Segue abaixo o calendário oficial da vacinação (em postos de saúde). A data limite para pacientes com doenças crônicas com menos de 60 anos foi extendida até 23 de abril. Quem quiser pode se vacinar fora do cronograma, ainda, em clínicas particulares.

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Associação de cisplatina à gemcitabina é importante para pacientes com câncer de vias biliares

O câncer de vias biliares é bastante conhecido por sua agressividade. Apesar de ser incomum, não se pode dizer que é uma neoplasia rara. Além disso, a mortalidade associada ao diagnóstico é bastante alta.

Quando o paciente apresenta doença metastática ou irressecável – que não é possível de ser retirada através de cirurgia – as opções de tratamento são bastante limitadas.

Até pouco tempo atrás, não havia estudos que demonstrassem claro benefício no uso de quimioterapia para o controle da doença. Assim, muitos pacientes recebiam apenas tratamentos sintomáticos, para tentar preservar a qualidade de vida. A indicação de tratamento quimioterápico era questionável, pois os efeitos colaterais do tratamento não são poucos. Quando os benefícios não são palpáveis, a relação malefício/benefício fica duvidosa ao paciente. O tempo médio de vida deste tipo de paciente sempre permaneceu por volta dos 6 a 8 meses.

No entanto, em 7 de abril deste ano foi publicado no The New England journal of medicine, uma das mais importantes revistas médicas do mundo, um estudo clínico envolvendo 410 pacientes de vários centros do mundo, que mudou um pouco nossa visão sobre a doença.

Os pacientes foram divididos em dois grupos, de forma aleatória. Um dos grupos, com 204 pacientes, recebeu quimioterapia com gemcitabina e cisplatina. O outro, com 206 pacientes, recebeu quimioterapia apenas com gemcitabina.

Sabe-se que a gemcitabina é pouco tóxica, e seus efeitos colaterais principais são hematológicos (anemia, queda do número de plaquetas, etc). E a cisplatina apresenta maiores riscos (náusea, vômitos, fraqueza, entre outros).

Mas os resultados desse estudo demonstraram que quem recebeu a quimioterapia mais agressiva (com cisplatina e gemcitabina) apresentou maiores taxas de controle da doença, e principalmente viveu mais tempo – tempo mediano de vida de aproximadamente 1 ano. Não parece muito (aproximadamente 4 meses de ganho), mas do ponto de vista estatístico é muito importante. A partir deste estudo, o novo tratamento padrão para este tipo de pacientes, quando possível, passa ser esta combinação de medicamentos.

Mais estudos devem ser feitos, para tentar aumentar as taxas de controle da doença, enquanto não há possibilidade de proporcionar chance de cura a estes pacientes.

Para ver a referência e o resumo original deste estudo, em inglês, clique aqui.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Como o câncer se desenvolve

Vídeo explicativo (em inglês) sobre as características celulares que dão origem ao câncer.

Tratamento individualizado contra o câncer

Atualmente pacientes com câncer recebem tratamento sugerido pelo seu médico com base em estudos clínicos que avaliaram previamente pacientes com doenças semelhantes. A estatística ajuda a definir qual a terapia mais indicada. O problema é que esta terapia não funciona para todo mundo.
A FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) anunciou projeto internacional sequenciará centenas de genomas de cânceres. Dados ajudarão a compreender melhor a doença e a explicar por que determinado tratamento funciona para uma pessoa e não para outra.
Veja mais na reportagem da Agência FAPESP de notícias.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Novo Código de Ética Médica

Hoje entra em vigor o novo Código de Ética Médica. Apesar de necessária uma revisão (a última havia sido em 1988), não acredito que haja motivos para tanta divulgação e entusiasmo.
O novo código não irá resolver os problemas de superlotação de hospitais públicos, da falta de médicos plantonistas, das imposições e restrições dos planos de saúde, da má remuneração dos médicos entre outros.
O antigo código já tentava restringir tudo isso.
De qualquer forma, acho que o tema pode trazer novamente para discussão os problemas da medicina no Brasil. E isso é positivo.